Escândalo: documento cita vídeo, mensagens e suspeita de chantagem envolvendo servidora da Defensoria Pública contra vereador de Tabatinga

Amazonas - Um documento protocolado na Corregedoria-Geral da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) colocou o município de Tabatinga (AM) no centro de uma denúncia grave: o suposto vazamento de um procedimento sigiloso, ligado à Lei Maria da Penha, que teria sido espalhado em grupos de WhatsApp no auge do clima eleitoral de 2024.

A denúncia, formalizada em 14 de abril de 2026, foi apresentada pelo vereador Paulo César Pereira Bardales, ex-presidente da Câmara Municipal. Ele pede que a Corregedoria investigue a servidora comissionada e sua ex-companheira, Sayara Souza Bermerguy, funcionária da Defensoria Pública em Tabatinga.

O documento vai além: solicita medidas imediatas, incluindo afastamento e até exoneração da servidora, caso as suspeitas sejam confirmadas.

“Vazou no mesmo dia”: denúncia aponta quebra de sigilo em processo protegido

O trecho mais explosivo da representação relata que um procedimento relacionado à Lei Maria da Penha teria sido distribuído e, mesmo estando em fase inicial e protegido por segredo de justiça, começou a circular em grupos de WhatsApp no mesmo dia.

Segundo o vereador Paulo Bardales, não havia publicação oficial e nem mesmo sua defesa teria acesso ao conteúdo naquele momento. Ainda assim, o material teria se espalhado rapidamente, ganhando repercussão e gerando prejuízos diretos à sua imagem.

O denunciante afirma que a circulação do procedimento ocorreu de forma “absolutamente irregular”.

Documento aponta que acesso era restrito: Polícia, Justiça e Defensoria

Um ponto central levantado na denúncia é que o acesso ao procedimento, por ser sigiloso, deveria estar restrito a poucos órgãos e pessoas autorizadas.

O documento destaca que, em tese, somente poderiam acessar o conteúdo:
· autoridade policial;
· Defensoria Pública;
· Poder Judiciário.

Por isso, Paulo Bardales afirma que existem “fortes indícios” de que o vazamento pode ter partido de dentro do sistema institucional.

Ele aponta que Sayara, por ocupar cargo comissionado na Defensoria Pública, poderia ter tido acesso ao material e, segundo ele, participado da divulgação.

Ruptura política e disputa local: caso teria explodido durante eleições de 2024

A representação deixa claro que o episódio ocorreu em um momento delicado: o período das eleições municipais de 2024.

O documento afirma que houve uma ruptura política entre Paulo Bardales e o grupo ligado à família da servidora.

Sayara, segundo a denúncia, é filha do ex-prefeito Saul Nunes Bermerguy, figura conhecida na política de Tabatinga.

O denunciante afirma que a exposição do procedimento sigiloso teria ocorrido dentro de um contexto de tensão política e disputa de poder em Tabatinga.

Vídeo misterioso e suposta ameaça: “ela usaria o cargo para prejudicar”

Além do suposto vazamento de 2024, o documento também menciona um episódio mais recente.

Paulo Bardales afirma que recebeu, de um número desconhecido, um vídeo envolvendo Sayara e os filhos do casal. Segundo ele, o conteúdo veio acompanhado de mensagens com insinuações e ataques indiretos, atingindo sua honra.

O ponto mais grave, segundo o documento, é que a legenda do vídeo sugeriria que Sayara estaria usando sua posição dentro da Defensoria Pública para prejudicá-lo politicamente, já que ele estaria atualmente apoiando um grupo adversário ao da família dela.

O denunciante afirma que o vídeo e outros materiais foram guardados e estão disponíveis em pasta digital citada na representação.

Abalo institucional: moradores estariam com medo de procurar a Defensoria

O documento também afirma que o caso já teria ultrapassado o campo pessoal e se tornado um problema institucional.

Segundo a denúncia, após a circulação de informações sigilosas em grupos de WhatsApp, começaram a surgir manifestações de moradores dizendo que passaram a desconfiar do sigilo e da segurança da Defensoria Pública em Tabatinga.

O denunciante afirma que há prints de conversas onde cidadãos demonstrariam:
· medo de procurar atendimento;
· insegurança sobre confidencialidade;
· desconfiança de uso político da instituição.

A representação afirma que isso compromete diretamente a imagem da Defensoria, órgão essencial para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Denúncia cita possível crime e improbidade

Na parte jurídica, o documento afirma que as condutas narradas poderiam configurar, em tese:
· violação de sigilo funcional;
· abuso de função pública;
· ato de improbidade administrativa;
· infração disciplinar grave.

A denúncia também menciona o artigo 325 do Código Penal, que trata de violação de sigilo funcional, e cita princípios constitucionais como moralidade e impessoalidade.

Afastamento e exoneração

Entre os pedidos feitos à Corregedoria, o documento solicita:
· abertura de procedimento administrativo;
· apuração de quem acessou o procedimento sigiloso no sistema;
· requisição de registros técnicos e logs;
· oitiva da servidora e de testemunhas;
· análise do vídeo citado;
· afastamento imediato da servidora;
· exoneração, por se tratar de cargo comissionado.

O denunciante afirma que a permanência de Sayara no cargo estaria “incompatível com a confiança exigida” para a função.

Apesar das acusações duras, a representação é apenas o início de um procedimento e ainda não significa que houve comprovação dos fatos.

Até o momento, o documento não apresenta manifestação oficial da Defensoria Pública sobre abertura de sindicância ou conclusão da Corregedoria.

A servidora citada também tem direito de apresentar defesa e sua versão dos fatos, como determina a legislação.

O que pode acontecer agora

Com o documento protocolado no dia 14 de abril de 2026, caberá à Corregedoria decidir se:
· abre investigação preliminar;
· instaura sindicância;
· inicia processo administrativo disciplinar;
· arquiva a denúncia;
· ou encaminha o caso a outros órgãos competentes.

Se for comprovado que houve vazamento de processo sob segredo de justiça, o caso pode gerar consequências administrativas e também criminais.

Bastidores: disputa política, família influente e um caso que incendiou Tabatinga

O caso, relatado em meio a rivalidades políticas locais, pode se tornar uma das denúncias mais sensíveis envolvendo instituições públicas em Tabatinga nos últimos anos.

De um lado, um ex-presidente da Câmara afirma ter sido alvo de exposição e ataque. Do outro, uma servidora pública citada em denúncia grave que ainda será analisada oficialmente.

Agora, a resposta está nas mãos da Corregedoria: confirmar se houve irregularidade ou se o episódio faz parte de um conflito político e pessoal que se arrasta desde o período eleitoral. 
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